O bom carreteiro amigo

Vou contar o que aconteceu
um dia comigo.
No final, conto como fiquei
do caminhoneiro amigo.
Um dia viajei com o meu carro baixo
entre Rio e São Paulo,o que há tempo faço.

Por volta de meia tarde,
isso tudo é verdade,
por ser um valente e prevenido
isso não é ser convencido,
mas de nada recuou.

Ganhe ou perca uma luta,
deixo a marca da disputa.
O que aconteceu foi assim:
fui atacado por cinco assaltantes
em um trecho de rodovia.

Saltei da direção e deixei
a chave na ignição.
Na mão esquerda um facão,
na direita meu trinta e oito.

E ligeiro como sou,
também usei minha coragem,
que por natureza trago
em minha bagagem.

Quatro deles vieram em cima de mim
com suas armas pesadas.
Eu que não temo nada
usei minha capacidade
com meu trinta e oito.

Com os pés e o facão
deixei todos mortos no chão.
Com a chave na ignição,

o quinto que desistiu,
com o meu carro sumiu.

Ali fiquei sozinho com meu trinta e oito
e o meu facão na mão.
Dali saí a pé, me afastando
do local, deixando ali mortos
os quatro marginais.

Mais à frente parei
e na beira da pista sentei.
Foi chegando um carreteiro
com sua potente carreta
e me perguntou: o que faz aqui?
Pelo sotaque e jeito entonado
e sem luxo, já vi que é gaúcho.

Usei nosso linguajar
não chamando de você,
mas chamando ele de tchê.
Ele mais se entusiasmou
me chamando de senhor.

Encostei minha carreta
isso não foi à toa,
é porque vi no senhor
uma boa pessoa.

E se não for falar demais,
o senhor deve ser o herói
que matou os quatro bandidos
logo ali atrás.

Respondi no pé da letra
para o moço da carreta:
fui eu mesmo que fiz
todo aquele estrago,
só que o quinto levou o meu carro.

Moro lá em Cianorte
no norte do Paraná.
Ele respondeu no ato:

estou indo para lá,
para na empresa Guibom
muitos frangos carregar,
e lá na Bahia entregar.
Poderemos ser amigos
e juntos viajar.

Pois foi assim que fizemos
mas o destino algo nos preparou,
e muito tempo demorou.
Sua carreta era esperada.

Já em um ponto marcado,
por outros bandidos armados,
ladrões de cargas especializados,
que costumavam levar a carreta
e deixar o motorista na pista amassado.

Essa vez eram em seis
nos acenaram pelos dois lados.
Fingi um desmaio e caí
de barriga no assoalho.
Por baixo de mim o facão
e o trinta e oito na mão.

Dominaram o carreteiro
já pronto para a execução.
Dali rolei para o chão e
levantei atirando e manobrando
o facão.

Ali matei mais quatro,
só dois escaparam,
mas a carreta não levaram.

Esse dia para mim,
se foi de sorte não sei,
mas oito foram o total
que em defesa matei.

Hoje desse motorista
muito amigo fiquei.

Ele diz que sua vida salvei,
mas assim falei.

Só peço que seja meu amigo
é assim que direi.
Sou amigo dos carreteiros,
caminhoneiros e de quem
dirige bitrem.

Pois nessa heróica profissão
tenho um filho também,
peço a Deus que os ajude a todos,
a todos que quero bem.

Se pudesse seria um anjo
para sair com todos, de carro
carreta, caminhão e bitrem.
E se for necessário,
matar mais alguém.

Só assim diminuindo
os assaltantes das estradas.
Gente muito malvada,
que se forem mortos por isso,
não farão falta a nada.

Respeito as leis nacionais,
mas em defesa da vida,
faço isso com proeza,
sem rompante e sem maldade
sou bom barbaridade.

Eu já fazia poesia
quando pouca idade tinha,
mas foi com quarenta anos
um jovem maduro apenas,
que liguei minhas antenas

Locival Antonio de Vargas

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Autor: Locival Antonio de Vargas (Tio Gaúcho – O Loça)

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