Um dia fiz um pedido a mim mesmo
Foi em um certo dia ,
em uma tarde muito fria,
foi um dia de Natal
eu estava sozinho em casa.

Apesar da hora fria
minha cabeça estava em brasa;
a tristeza me invadia,
até morrer eu queria
da tristeza que sentia.

Pensei no Papai Noel
que na casa do rico entra,
pensei nos pobres do mundo
que o frio e a fome enfrentava.

Nisso em minha porta
apareceu alguém pedindo.
Era um garoto pobre
fazendo papel de nobre.

Me dizendo com a voz tremida:
eu lavo o teu carro
por um prato de comida,
e tremendo com muito frio,
sem agasalho e com o
estômago vazio.

Eu que estava muito triste
mesmo sem saber o por quê,
ergui os olhos ao céu
imaginei nossa senhora
coberta com santo véu.

Ao descer os olhos ao chão
vi o garoto sorrindo



me causando admiração,
e me dizendo com franqueza:
por que toda essa tristeza
com toda a tua riqueza?

Tu és um homem muito bom,
eu já li teu coração
quando tu olhaste ao céu
e imaginou ver Santa Maria.
Antes disso eu já a via
pois foi ela quem me mandou aqui.

Representando seu filho Jesus,
que quando grande se fez
morreu na cruz.
Minha mãe mandou te dizer
deixe de lado a tristeza.

Essa pobreza é por fora
como a riqueza também,
e não se preocupe com o mundo
o meu pai sabe o que faz.

E como lê eu sei também
o que diz teu coração
que tu não ias me dar só pão
e nem deixar lavar teu carro.

Tu ias me dar agasalho,
ia me dar refeição.
Tu ias me dar alento
ia me dar carinho
e me deixar a contento.

Agora e por grande momento
também ias me dar um leito,
e quando eu fosse embora
ia me dar um presente de Natal
e menos triste iria ficar
por poder me ajudar.


Dizendo todas essas palavras
o garoto sumiu no ar.
Me parecia um sonho
que acabara de sonhar
e comecei a chorar.

Depois veio a alegria
e eu andando em meu lar,
em frente um espelho
eu fiquei a me espelhar.

Vi os meus olhos vermelhos
decerto ainda a chorar
daí passei a imaginar:
onde foi o garoto pobrezinho
que sumiu pelo ar
sem me dar tempo de ajudar?

E como prova de sua estada
o seu rastinho eu via,
não era de um sapatinho
era de seus cinco dedinhos
me fazendo sentir alegria.

E olhando outra vez o céu,
me parecia ver Santa Maria
lá em cima no ar.
A imagem de sua mãe Maria
que através de seu filho
me devolveu a alegria.

Apartir desse momento
fiz um pedido a mim mesmo,
de nunca mais triste ficar
pois estar triste é muito triste
pois deixa a gente a penar.

A tristeza não é sagrada
não é coisa divina,




representa não concordar
com o que Deus está a nos dar.

Por isso prometo a mim mesmo
nunca mais sentir tristeza,
procurar só ver beleza.
Pois tudo vem de nossa mente
só podemos ver beleza
em nossa frente.

Não alimentar tristeza,
não alimentar fraqueza.
Alimentar sim felicidade,
alimentar boas saudades
e ser a todos um poço de bondade.

Agora para terminar
um recado vou deixar:
quem quiser comigo falar
venha me consultar
que a receita vou dar.

Procure ao céu olhar
que tudo de bonito vai encontrar
no infinito.

Procure também admirar a flor
e não acreditar na dor,
zombar dela com humor
pregar a felicidade.

Procurar sentir saudade
de quem foi bom de verdade,
sempre olhar a lua cheia
nas noites frias e de calor.

Não ter ódio no olhar
e sem esperar o que colher
quando algo plantar,
olhar sempre para a frente



estender sua mão grande e forte
a uma mãozinha carente.

Pregar fé e harmonia,
procurar manter cheinha sua vidinha
às vezes querendo ficar vazia,
se mantendo sempre assim
minha senhora, meu senhor
colorido como uma flor
a preciosidade natural,
a expressão do amor.

Eu já fazia poesia
quando pouca idade tinha,
mas foi com quarenta anos
um jovem maduro apenas,
que liguei minhas antenas

Locival Antonio de Vargas

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Autor: Locival Antonio de Vargas (Tio Gaúcho – O Loça)

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