Exemplos que a vida mostra
Há muito tempo passado,
dois jovens se enamoraram
e o casamento, em poucos dias
aconteceu.
E noves meses depois
uma família nasceu.
Um ano depois
o casal se separou.
A mãe deu a filhinha
à alguém que a comprou.
Como já tinha má intenção
vendeu aquela criança,
contra a lei da Constituição.
Quem comprou foi um casal,
lavradores da região,
que a criaram
com muito amor e estimação.
Os pais dessa criança
passado uns tempos depois,
fizeram a reconciliação.
E com sentimento no coração,
procuraram a filhinha,
mas não a encontraram não.
Na profissão de mascate
percorriam a região,
com a filhinha na imaginação.
O tempo foi passando.
Muito longe sua filha foi criada.
O lavrador que a comprou
era forte agricultor e
muito bem a tratou.
Por não poder ter filhos
como filha a considerou.
Com 25 anos
em bela moça se transformou
mas nunca quis se casar.
Optou por dos velhos pais cuidar.
Sem conhecer a verdade,
não sabia o que se havia de passar.
O agricultor morava à beira de uma estrada,
junto com a mulher amada
e sua filha comprada.
Mas de repente morreram,
por uma doença malvada.
A moça ficou sozinha.
Herdou a propriedade
por ser filha registrada.
E continuou morando
à beira daquela estrada.
Um certo dia
chegou um automóvel
que um casal de mascate trazia.
A mulher já decaída,
aparente envelhecida,
de tanto pensar
em sua filhinha querida.
Sem saber se era viva ou falecida.
O homem
vindo de forte geração,
estava conservado e bonitão.
Vendendo suas roupas
despertou na moça uma forte paixão.
Por ser inteligente,
começou a pensar:
atrás da porta,
uma mala de roupas vou colocar,
para depois sozinho eu vir buscar.
Pois percebera que a moça
dele estava a gostar.
Quando em casa chegaram
que foram verificar,
notaram a falta de uma mala
e começaram a falar:
Onde será que essa mala foi ficar?
Ele sabendo de tudo
sozinho foi procurar.
Ao sair
já começou a pensar:
vou direto àquela linda flor
que por mim,
parece ter amor.
Se isso acontecer,
ficarei com ela até o amanhecer.
Quando lá chegou
a moça o abraçou
e o namoro aconteceu.
Logo foram se deitar
e continuaram a namorar.
Uma vez por semana
ele vinha lhe visitar.
E lá em uma cascata,
no meio da mata,
eles iam se banhar.
E fotos peladinhos tiravam
para num álbum guardar.
A cada quatro meses
o casal de mascates
percorria aquela região.
Hábito que já durava um tempão.
Chegavam juntos à casa da moça,
e ele, com cuidado e precaução,
vendia suas roupas à moça
sem dar demonstração.
Um certo dia lá na casa,
a mulher ficou adoentada
e na cama da moça foi deitada.
Na gaveta do criado mudo esquecido
Viu uma foto do seu marido
Nu ao lado de uma mulher.
E duas pintinhas notou:
uma na coxa e outra na bundinha.
Descobriu que era sua filhinha
que um dia ela abandonou.
Seu coração não agüentou!
Só deu tempo de aos dois revelar.
Assim pagou caro,
por a filha abandonar.
Sirva essa história de exemplo
aos pais,
para que não deixem os filhos abandonados.
E assim também não venham a pagar
tão caro por seus pecados.
Eu já fazia poesia
quando pouca idade tinha,
mas foi com quarenta anos
um jovem maduro apenas,
que liguei minhas antenas
Locival Antonio de Vargas
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Autor: Locival Antonio de Vargas
(Tio Gaúcho – O Loça)
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