A tragédia no céu armada
Vou contar o que aconteceu
o que num dia veio a se dar,
parecia ser um dilúvio
veja só como é
só não tinha uma arca
do tipo daquela de Noé.
A chuva vinha de cima
como isso é natural,
mas era uma quantia muito
fora do normal.
Foi no fim do mês de novembro
do ano de dois mil e oito,
dia que ficou marcado.
Trovejou e relampeou
deixou o povo assustado,
Blumenau cobriu-se de luto,
o estado foi na linda Santa Catarina,
um estado fenomenal,
lugar de gente trabalhadora
como em poucos tem igual.
Faltou a água potável,
faltou o gás na cozinha,
faltou o café e o pão,
também faltou arroz e feijão.
Faltou casa para morar
e cama para nela se deitar,
se misturou rico e pobre
não adiantava reclamar.
Dormindo todos amontoados
sem colchão ou acolchoados,
deitavam em qualquer lugar.
Em uma grande região,
a água cobriu as casas do porão
ultrapassou o alçapão.
Era criança que chorava
era mãe que lamentava,
era pai desesperado
estava tudo molhado.
A TV publicou e o Brasil se emocionou,
a consciência mais alto falou
e o povo ajudou.
Toneladas de alimentos,
muitas carretas lotadas
rodando pelas estradas.
Já fazia muitos dias
a notícia ainda corria.
Muita gente na agonia,
com dezenas que morria.
Mas a tristeza maior
era de pai a lamentar.
Pois perdeu sua família
e não tinha ninguém para enterrar,
e dizendo a chorar
que no dia de finados
não terei onde uma flor colocar,
pois a água levou e o barro enterrou
e nem vestígio deixou.
A esse pai desesperado
uma sugestão vou dar:
no dia santo de finados
não fique olhando ao lado.
Se ajoelhe olhando o céu
com fé pensando em seu filho
e em sua mulher
com uma mão ao céu a outra no coração.
Oralmente ou em pensamento
com muita dor e lamento,
com muito boa intenção
faça uma oração
ao nosso Pai da salvação.
Peça a ele: por favor
alivie a minha dor,
coloque uma flor por mim
pois disso eu tenho certeza
que eles estão aí.
E me mande um grande lenço
divino pra enxugar minhas lágrimas aqui.
Nós nos encontraremos um dia aí
quando o senhor me levar daqui.
Para vivermos de novo juntos
no paraíso do céu,
apreciando o senhor e teu filho Jesus
que aqui pregaram na cruz.
E sua santa Virgem Maria
companheira de todo dia,
a grande mãe de toda gente,
e aí viveremos felizes eternamente
sem se preocupar com enchente.
Assim tu deves proceder
essa é minha sugestão,
desse poeta teu irmão
que procura pregar a paz
e acalmar coração.
Atenuar as tristezas
dos que vivem aqui no chão.
Pregar em versos rimados
muitas palavras sábias
oriundas de sua mente ,
sem orgulho e sem vaidade
com amor e simplicidade
e sabendo que só em Deus está a legítima verdade.
Eu já fazia poesia
quando pouca idade tinha,
mas foi com quarenta anos
um jovem maduro apenas,
que liguei minhas antenas
Locival Antonio de Vargas
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Autor: Locival Antonio de Vargas
(Tio Gaúcho – O Loça)
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