Uma porca que deu cria
Conheci e presenciei
um caso que agora vou contar,
a respeito de uma porca
que deu cria onde eu estava a morar,
no estado de Santa Catarina
em um lindo e tranqüilo lugar.

Esse caso aconteceu então
entre um brasileiro e um alemão.
Os dois eram vizinhos,
cada um tinha uma área de terra
naquela bela região,
ambos criavam porcos.
Cada um tinha em sua propriedade
um grande e fétido chiqueirão.

Quando foi um certo dia
um porca do brasileiro,
próxima a dar cria,
entrou no chiqueirão do alemão
e ali ficou por uns dias,
até nascer sete porquinhos
que lindos e gordinhos cresciam.

Com isso o alemão
entregou a porca e assim dizia:
em paz entrego a porca
mas os leitões não.

E foi assim que começou
uma grande confusão,
com o bravo brasileiro
e o birrento e atrapalhado alemão.

Ouvindo isso o brasileiro,
já com ódio em seu coração,
dizia: se a porca é minha,
os leitões também o são.

E seguindo a discussão
foram as inspetor de quarteirão.

O inspetor pensou, pensou
e tomou uma decisão.
Por ser também alemão,
disse ao patrício: são teus os leitões!
Mas o brasileiro não concordou não
batendo com os pés no chão.

Com isso cada um contratou
um advogado da região,
e por dois anos continuaram
a demanda sem ter solução.

Gastaram a metade das terras
por serem dois bobalhões.
O alemão disse a seu advogado:
eu “vai mandá” um porco capado
para o juiz ficar do meu lado.

Agora leitores, fiquem atentos
para ver o resultado.
O brasileiro ganhou e o alemão
ainda foi enjaulado.

Em pouco tempo dali
o alemão tinha se mudado.
E o brasileiro ficou cantando
igual um galo, por do alemão ter ganhado,
mas só com a metade da terra
e um pouco envergonhado.

Agora vejam o que diz esse poeta letrado,
o que ouvia já de meu pai a falar:
em disputa de bobo e de porco
é melhor deixar pra lá.

Ainda confesso que coisa assim
não vi se dar.
E um amigo me falou,
que por todo lugar que se andou,

até hoje, nunca soube nem via
a estória de um porca que deu cria.

Eu já fazia poesia
quando pouca idade tinha,
mas foi com quarenta anos
um jovem maduro apenas,
que liguei minhas antenas

Locival Antonio de Vargas

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Autor: Locival Antonio de Vargas (Tio Gaúcho – O Loça)

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