As duas grandes enchentes no estado de Santa Catarina
Foi na década de setenta
que esse caso aconteceu,
na primeira grande enchente
na cidade de Blumenau.

Em um certo dia
quando isso ninguém previa,
lá no espaço do céu
o ar se transformou,
o clima se modificou
trovejou e relampeou.

E o pior aconteceu:
por diversos dias choveu.
Naquelas partes mais baixas
a água cobriu as casas,
em diversas cidades tudo se misturou.

Rico e pobre ali, acabou a vaidade.
Movimentou-se o Brasil
e a defesa civil,
e por ali ninguém mais avistou
o lindo céu cor de anil.

A enchente foi a maioral
que não se viu outra igual.
Se transformou tudo em mar,
e no meio dos flagelados
tinha um jovem industrial
que tudo herdara de seu pai.
De dinheiro ficou rico,
mas tinha a mente carente,
na verdade era um pobre vivente.

Quando o temporal passou
ele olhando para o céu falou:
vou fazer uma casa no alto de uma colina.
Farei de pinho do bom nascido

aqui na região, as portas de jacarandá,
cobertura de alumínio para
de longe avistar e a noite ver o clarão.
Será em cima de pilar com cinco metros
acima do chão.

Quero ver o Deus poderosos
fazer água rolar e lá no morro chegar.
Trinta e poucos anos passou
agora a natureza lhe cobrou.

A água não subiu o morro
mas por baixo penetrou.
A mulher do ateu por ser muito religiosa
um conselho lhe deu,
que não duvidasse de Deus.

Agora há pouco tempo
por estar envelhecida,
lhe disse com a voz tremida:
antes de falecer vou colocar
esse quadro com Santa Paulina
com sua graça divina,
na parede de nossa sala.

E se outra enchente baguala
aqui vier lhe ameaçar,
se ajoelhe em frente dela
e comece a rezar.

Embora nunca fizeste isso
mas nela pode confiar,
as palavras em sua boca
ela irá colocar.
O ateu muito atrevido
começou a gargalhar.

Uma de suas netas
que estava a escutar
e vendo a avó a chorar
disse: não chore vovó,


o vovô não sabe o que faz
Deus saberá perdoar.

Somente um ano depois
veja o que aconteceu,
e mais uma vez por muitos dias choveu.
A água afrouxou a terra,
os pilares por sua vez corroeu
e a casa toda tremeu.

A mesma neta lembrou
do que sua avó falou e
a santinha da parede
com muita fé pegou.

O avô pela primeira vez se ajoelhou
e a casa não virou.
Pela ladeira abaixo escorregou
e por cima da água
serenamente navegou.

E flutuando inteirinha,
com sala quartos e cozinha,
se conservou com toda a mobília
e família.

E pelo que a estória diz,
foi parar próxima
a grande igreja matriz.

O ex ateu envelhecido,
abraçado a Santa Paulina,
continuava a rezar.
Prometeu à sua família
essa casa numa igreja transformar.

Esse é mais um exemplo de vida
que esse poeta acaba de contar.
Viva o estado de Santa Catarina
e a divina Santa Paulina.

Eu já fazia poesia
quando pouca idade tinha,
mas foi com quarenta anos
um jovem maduro apenas,
que liguei minhas antenas

Locival Antonio de Vargas

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Autor: Locival Antonio de Vargas (Tio Gaúcho – O Loça)

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