Preparando minha velhice
Eu já fazia poesia
quando pouca idade tinha,
mas foi com quarenta anos
um jovem maduro apenas,
que liguei minhas antenas.

Pensando e repensando
matutando e na vida amando,
resolvi me preparar
para a velhice enfrentar.

As poesias que nem ligava
decidi melhor guardar.
De uma a uma organizada
também mandei registrar.

Pois quando eu velho ficar,
embora isso irá demorar,
por volta de cem anos
não vou poder mais trabalhar.

Então sentadinho já velhinho,
estando ainda firminho
e me permita dizer,
velhinho porém bonitinho.

Pois tu podes acreditar
e se passares por lá,
vais poder me avistar
embaixo de um pomar.

Um poeta lendo e chorando de alegria,
emocionado pelo passado.
Emoção é coisa boa
faz bem ao coração,
principalmente lendo poesias
que escrevi com minhas mãos,


tiradas de minha memória
contando a minha história.

Pode ser lá embaixo de um pomar
ou em uma casinha simplinha
que acomoda e agasalha a vida minha.

Só sinto não ter comigo
minha finada mulherzinha,
que por muitos anos incentivou
a fazer muitas poesias,
e que tanto amor me deu
em nossa modesta vidinha.

Mas o que se há de fazer,
foi Deus quem quis assim,
e se hoje eu vivo sozinho
é porque assim preferi.

Apesar de fazer poesias
pregando paz e amor,
sou um poeta anônimo
um anônimo pregador,
um vivido senhor
da vida conhecedor.

Tenho e prego alegria,
humor e sabedoria
coisa de muita valia,
servindo de conselheiro
para jovem e adulto
coisa de professor.

Carregando em minha bagagem
muita virtude e coragem,
a todo povo da terra
mando minha mensagem.

Seja no ar ou na terra
façam amor não façam guerra.
Não tenham vida de rico
mas tenham uma vida rica.
Para quem não sabe ainda
os dados já nos indicam,
felicidade não é aquilo
que muitos estão a pensar.

Não é com muito dinheiro
que um grande amor vai encontrar.
Felicidade é coisa rara
que dinheiro não pode comprar.

Para se ter uma vida rica
é necessário primeiro não ser otário,
não ingerir bebida de álcool
e nem o assassino cigarro.

E ser honesto e trabalhador,
ser bondoso e carinhoso,
não ser egoísta na vida
ser cauteloso ao dar a partida.

Acelerar com precaução
pois carro não é avião,
e quando a situação carece
é bom acenar com a mão.

Mostrando ter prudência
e uma boa educação,
fazer tudo pela lei
respeitando o teu irmão.

E na estrada do amor
acelere devagar,
mostrando saber amar.
Semeie bem a semente
para bom fruto cultivar.

Adube bem o teu chão
o adubo do coração.
Seja gentil, seja amável
sensível e agradável.



Com tudo isso e algo mais
do que digo sem rancor, nem inguiço,
as portas se abrirão
as portas do coração
aberta pela sedução,
e chegará a ser velhinho
saudável e bonitinho.

E na velhice tenha cuidado
não queira fazer o que já fez no passado,
pois o fio de tua navalha
já enferrujou um bocado.

E a maguinha que afia
já anda um pouco magrela,
passa o maior tempo
olhando pela janela.

Observe por favor
as velas junto ao motor,
parte já apagou
só o que está perfeito
é a experiência que ficou.

O saber adubar a terra
para a semente plantar,
e tudo aquilo que um velho
sabe cultivar.

Também o saber rezar
e de Deus não duvidar,
ainda ter fé de um dia
no céu chegar para continuar
a viver.

E lá pelo regulamento do superior,
continuar a praticar
tudo que Jesus ensinou
quando na terra andou,
e sem adubar plantou
tudo em nome do amor.

Eu já fazia poesia
quando pouca idade tinha,
mas foi com quarenta anos
um jovem maduro apenas,
que liguei minhas antenas

Locival Antonio de Vargas

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Autor: Locival Antonio de Vargas (Tio Gaúcho – O Loça)

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